40 anos de ditadura midiática é algo fantástico
Sorria! VocÊ está sendo manipulado/a
No dia 26 de abril, a Globo comemorou seu aniversário de 40 anos numa grande festa com artistas, jornalistas e funcionários em geral mas, você não foi convidado/a. Logo você, telespectador/a responsável em manter por tanto tempo a emissora no ar, ao dar audiência e consumir suas novelas que vendem sonhos, mudam comportamentos e hábitos de quem as assiste; ao assistir propagandas que duram cada uma 30 segundos e conseguem, através de diversos recursos apelativos, criar mais uma necessidade de consumo e estimular o consumismo em você; ao prender a atenção dos seus/suas filhos/as com programas infantis nada educativos, na sua maioria.
Através de seus programas jornalísticos, a rede Globo forma opinião dos/as telespectadores/as de acordo com os interesses da emissora e ou daqueles que a mantém, como empresários e o governo. Manipula notícias e distorce fatos, alterna “notícias boas” e “notícias ruins”, na tentativa compensar um fato nada agradável aos olhos de quem assiste. Embora isso aconteça de uma forma quase imperceptível à maioria, dois exemplos são bem claros.No dia 28 de julho de 1998, o Jornal Nacional dedicou dez minutos ao nascimento do parto de Sasha (filha de Xuxa), enquanto que o anúncio do recorde de inflação em São Paulo mereceu apenas 20 segundos. Apenas uma conseqüência, segundo os próporios editores, de uma estratégia de marketing para tornar o noticiário mais "leve". O segundo exemplo é bem mais recente, a atenção dada pelo Jornal Nacional à maior chacina da história do Rio de Janeiro que fez 30 vítimas, foi mínima, quase inexistente pois, foi sufocada pela notícia da morte do Papa João Paulo II.
No entanto, esta estratégica jornalística da rede Globo não é novidade. Sua trajetória histórica é marcada por distorção e manipulação quando estava amigável ao regime militar em um dos seus mais violentos momentos, em 1969, e omitia os atos de torturas provocados por aquele governo sobre manifestantes e jornalistas que tentavam denunciar. Em 1984, durante a realização dos comícios pelas Diretas Já, o fundador da emissora Globo, Roberto Marinho, considerava que aquela mobilização poderia provocar uma inquietação nacional, por isso, vetou uma ampla cobertura das manifestações a favor da Democracia. O país quieto, calmo,parado, parecia ser mais importante para Roberto Marinho do que as eleições diretas e a volta a um regime de governo um pouco mais democrático. Anos mais tarde, em 1989 a Globo fez uma criminosa edição do discurso do candidato à presidência, Fernando Collor, enquanto participava de um debate com seu concorrente, atual presidente Lula, na televisão.
Estes e muitos outros fatos foram denunciados num documentário em 1993, feito pelo diretor inglês Simon Hartog, chamado "Muito além do Cidadão Kane". A Globo processou a produtora BBC, comprou os direitos autorais do filme e proibiu a sua exibição no Brasil (proibição que vigora até hoje).
A TV Globo foi ao ar pela primeira vez no dia 26 de abril de 1965, no Rio de Janeiro, durante a ditadura militar, financiada pelo grupo empresarial norte-americano Time-Life, violando a legislação brasileira que impedia a participação estrangeira no setor de comunicações. Aos poucos, a Globo, junto com o grupo associado, construiu o seu Império e hoje domina a mídia brasileira com, em média, metade da audiência da TV aberta e 74% das verbas publicitárias.O grupo Roberto Marinho ainda tem grande participação nas rádios (rádio Globo e CBN), jornais (O Globo, Valor Econômico, Extra, Diário de São Paulo), revistas (Época), TVs por assinatura (Globosat, Sky e Net), internet (Globo.com), mercado editorial (editora Globo), cinematográfico (Globo filmes) e fonográfico (Som Livre).


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